
“Queremos pautar as razões do nosso viver!
O Dia Nacional da Juventude deste ano quer dar continuidade aos ciclos de debate e celebrações da Campanha da Fraternidade da CNBB e do centenário de nascimento de Dom Helder Câmara.
Com o tema “Juventude e os meios de comunicação” e o lema “Queremos pautar as razões do nosso viver!”, o DNJ quer denunciar toda visão equivocada sobre juventude, colocando na pauta de discussões da mídia, da sociedade e da Igreja, sua verdadeira realidade e anunciando seus sonhos: justiça, vida digna, liberdade, paz...
O objetivo é pensar como as mídias podem ajudar a gerar vida para a juventude, e, ao mesmo tempo, fazer com que os/as jovens pensem suas próprias formas de comunicação.
Papa Bento VXI - Maio/2007
Dia Nacional da Juventude 2008
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Orientações para o DNJ

O DIA NACIONAL DA JUVENTUDE de 2008 (DNJ 2008) será celebrado por todas as Dioceses do Brasil em 19 de outubro. Na diocese de Uberlândia as atividades serão organizadas em cada paróquia para promover uma maior integração entre os jovens participantes das comunidades paroquiais.
A Santa Missa será sempre a atividade principal para ser realizada. A celebração deverá ser preparada com carinho para receber os jovens participantes da comunidade e motivar aqueles mais ausentes para retornarem à comunidade.
Outras atividades devem ser desenvolvidas neste dia. Sugerimos dentre elas: manhã de reflexão e oração; passeios (ex. Parque do Sabiá); visitas ao asilo, creche, etc.; atividades recreativas; campanhas de arrecadação; etc.
O DNJ deste ano quer dar continuidade ao ciclo de debates e celebrações começadas com a Campanha da Fraternidade da CNBB e com o centenário do nascimento de Dom Helder Câmara. Temos a felicidade de fazer memória de seu legado no Centenário de seu nascimento, cujas festividades estão acontecendo em tantos lugares do Brasil. .
Com o tema "JUVENTUDE E MEIO DE COMUNICAÇÃO", e o lema: "Queremos pautar as razões de nosso viver!", o DNJ 2008 quer mostrar toda visão equivocada sobre a juventude, e queremos colocar na pauta de discussões da mídia, da sociedade, e da igreja, a verdadeira realidade dos jovens, e anunciar seus sonhos e todas as razões do seu viver: justiça, vida digna, liberdade, PAZ para todas as criaturas.
Por isso se sugere para a celebração e demais atividades que haja muita poesia, partilha e oração. Mãos à obra!!! Que nossa juventude "tenha vida e vida em abundância"!
Mais informações em:
www.pjuberlandia.blogspot.com
www.casadajuventude.org.br
www.ccj.org.br
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Liturgia do DNJ 2008

Na liturgia do DNJ veremos o profeta Isaías anunciar que Deus conhece e chama cada jovem pelo próprio nome (Is 45,1.4-6). Deus reconhece o valor de cada pessoa não sendo necessário que ela se enquadre neste ou naquele perfil, contrariando assim o modelo apresentado pelos meios de comunicação. Somos convidados a refletir nos encontros sobre o que a mídia fala dos jovens, como os jovens analisam a mídia e como podemos juntos promover a democratização dos meios de comunicação e pensar em nossos próprios meios de comunicar a vida.
O apóstolo Paulo, durante a segunda leitura, falará ao jovem Timóteo sobre o amor. Amor que procede do coração puro, de consciência boa, e de fé sem hipocrisia. Queremos que os jovens possam se encontrar para um momento de reflexão permeado pela Palavra de Deus, com muita animação e criatividade.
O evangelista mostrará Jesus em Jerusalém, por ocasião da Páscoa dos judeus. As perseguições que já vinha sofrendo na Galiléia, agora se aguçam com várias investidas dos chefes dos sacerdotes, fariseus e dos anciãos, proprietários de terras. Dirigem-se a Jesus com um acúmulo de elogios que já deixam transparecer a falsidade. São palavras cheias de malícia. Perguntam se devem pagar o imposto a César. Esperavam de Jesus uma resposta negativa, um ato de insubordinação, o que lhe mereceria a condenação por parte do império romano.
Jesus pede que mostrem a moeda do imposto. Este devia ser pago em moeda romana, o denário. As moedas, correntes no comércio, eram os "out-doors" de propaganda do império, cunhadas com imagens e inscrições que exaltavam o imperador. Jesus questiona de quem é a figura e a inscrição na moeda e, com a resposta, conclui: "Devolvei, pois, a César o que é de César e a Deus, o que é de Deus".
A sutil resposta de Jesus, remove o caráter divino do imperador: César e Deus são colocados separadamente. Por outro lado Jesus, com sua resposta, devolve a questão aos seus provocadores. Cabe a eles julgarem o que é de César e o que é de Deus. Sem dúvida poderão perceber que devolver a César o que é de César é erradicar de suas mentes toda ambição de riqueza e a idolatria do dinheiro. Devolver a Deus o que é de Deus é libertar seu povo e promover-lhe a vida, o que é a vontade e o projeto de Deus para toda a humanidade.
A liturgia para o DNJ será: Evangelho = Mt 22,15-21; Leituras = Is 45,1.4-6 e 1Tm 1,1-5b; e o Salmo será o 96(95).
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Preparação do grupo para o DNJ
O Dia Nacional da Juventude de 2008 convoca a juventude a pautar as suas razões de vida nos meios de comunicação! Por isso, é importante, nesse tempo de preparação para o DNJ, debater e refletir os meios de comunicação: como funcionam? Quem produz? O que dizem da juventude? Como as mídias podem ajudar a gerar mais razões de vida para a juventude? Como fazer comunicação?
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Dom Helder Câmara

Dom Helder Câmara foi, sem dúvida, um marco na Igreja do Brasil dos últimos 50 anos, que com seu exemplo e modo de agir, ajudou a mudar profundamente. Sua influência não se limitou ao Brasil: as numerosas viagens que fez ao exterior, às vezes dificultadas por mal-entendidos das autoridades militares e religiosas, fizeram dele uma figura mundialmente conhecida, amada e não pouco contestada.
Foi um dos idealizadores da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), organização copiada por bispos de outros países, e seu primeiro presidente. No Rio de Janeiro, atuou como bispo coadjuntor e, em Olinda e Recife, como arcebispo.
"Quando dou de comer aos pobres, chamam-me santo, quando pergunto porque é que os pobres têm fome - chamam-me comunista"
Foi assim que dom Helder resumiu suas dificuldades com as autoridades políticas e religiosas, quando era contestado a propósito de sua obra social e profética em favor de uma maior igualdade e justiça no país e dentro da Igreja. Não raramente se referiam a ele como o "bispo vermelho", especialmente nos duros tempos da ditadura.
Ele desejava uma Igreja mais participativa, orientada para a defesa dos pobres e a favor dos movimentos sociais. Quando foi substituído, em 1985, em seu serviço como arcebispo de Olinda e Recife, retirou-se para viver de maneira simples, coerente, até o fim da vida, com seu posicionamento a respeito da pobreza. Sua batina branca era surrada, celebrava suas missas sem pompas, morava numa casa modesta na periferia da cidade do Recife; dizem que nunca aceitou um convite para comer em restaurantes.
Sua obra, de fato, não o apresenta como teólogo, filósofo ou revolucionário teórico, mas como um pastor, no sentido mais amplos da palavra, preocupado com o bem-estar social e religioso do povo que ele amava.
Sua atuação transformadora começou a se manifestar, quando foi nomeado bispo auxiliar do Rio de Janeiro, aos 43 anos. Além de ter sido um dos fundadores da CNBB (1952), também o foi da Conferência Episcopal latino-americana (CELAM). No inicio dos anos 60, dom Helder dedicou-se à preparação do Concílio Vaticano II convocado por João XXIII.
Um legado de obras sociais
Realizando seus sonhos e suas aspirações de justiça social e caridade, dom Helder deixou várias obras como a Obra do Frei Francisco, criada no Rio de Janeiro; iniciou o Banco da Providência, hoje ampliado, que centralizava doações e as distribuía entre a população pobre. Também criou no Rio de Janeiro um projeto de urbanização de favelas, conhecido como Cruzada São Sebastião.
Em Pernambuco, realizou a primeira experiência de reforma agrária, comprando terras na Zona da Mata e assentando trabalhadores rurais.
Ardente defensor dos direitos humanos
Depois do golpe militar, após um primeiro período de convivência pacífica com o exército, ao ver a violação brutal dos direito humanos com a caça aos chamados comunistas, dom Helder passou a atuar em defesa dos presos políticos e contra a tortura no Brasil, cuja existência o governo militar procurava negar de todas as formas. Foi o período em que enfrentou as maiores dificuldades, mas também de maior projeção no exterior, tendo sido acusado pelos militares e por parte do clero conservador de promover atividades comunistas no País. O religioso passou a ser visto como simpatizante da esquerda e seu trabalho em defesa de uma Igreja mais aberta incomodava o regime militar. Através de documentos secretos, divulgados no livro "Dom Helder Câmara - entre o poder e a profecia", de Nelson Piletti e Walter Praxedes, descobriu-se que o governo Médici (1969-1974) organizou uma campanha contra a escolha do religioso para o Nobel da Paz, indicação promovida pelo episcopado alemão.
O bispo dos pobres soube atrair as atenções de todos os que trabalham e sofrem em favor de uma sociedade mais justa, não importa qual seja seu credo. Por isso, publicamos aqui parte de um artigo de Alexandre Gomes, muçulmano praticante, em homenagem a Dom Helder.
A solidariedade radical de Dom Helder Câmara
Alexandre Gomes
"Todas as revoluções não são obrigatoriamente boas (...) mas a história mostra que algumas eram necessárias e produziram bons frutos". (Dom Helder Câmara)
Pode parecer estranho, e realmente deve ser, que alguém fora do meio católico, ligado a outra fé, se sensibilize com o falecimento desta notável figura humana que foi o arcebispo de Olinda e Recife. Mas é certo que esta estranheza só é realmente estranha a quem não o conheceu.
Ainda que recorrendo ao que provavelmente será um chavão na imprensa nos próximos dias, é impossível não ver o contraste entre a figura meiga e franzina do arcebispo frente a toda a sua força interior. Homem incapaz de conhecer o medo - o que demonstra sobretudo a intensidade da sua fé e a certeza de estar agindo com correção - dom Helder Câmara teve a coragem de enfrentar tanto os algozes do regime militar como as forças conservadoras dentro da hierarquia da qual fez parte.
Jamais perguntou se os perseguidos políticos que defendia eram católicos, protestantes, judeus ou ateus: defendia-os não por um sentimento corporativo, mas sobretudo porque nele os valores humanos - e cristãos - estavam enraizados demais para fazer esta distinção. Alguém já disse que é fácil amar ao amigo, muito mais difícil é amar àquele que nos contesta e dom Helder foi capaz deste amor incondicional, a ponto de colocar a vida e a segurança em risco.
Sua enorme dedicação não condizia com sua figura franzina e humilde. Ele agia não por considerar a ação um mérito, mas porque a tinha no seu íntimo como o dever de um cristão. Não agia para ser louvado como exemplo de cristão, mas porque uma ética profundamente arraigada em seu espírito não lhe mostrava outro caminho senão o que ele tão heroicamente seguiu.
Não tentou jamais ser herói, mas apenas um cristão consciente de suas responsabilidades com a humanidade; mas este desprendimento o fez ainda mais heróico e exemplar. É certamente um dos melhores exemplos que se pode ter de uma figura humana rara para a qual até a omissão - entendida como não fazer tudo que estivesse ao seu alcance pelos seus semelhantes - era um pecado terrível.
Dom Helder foi mais que um símbolo desta luta contra o individualismo, opondo a ele uma solidariedade radical que encarna o sentimento de Misericórdia extrema tão pregado e tão pouco colocado em prática pelas mais diversas fés.
Talvez isto explique porque a figura dele é tão querida até para quem não compartilha da crença cristã, como eu que sou muçulmano. Afinal ele se tornou um símbolo daquela dedicação ao próximo que todos os verdadeiros crentes de qualquer fé só podem admirar como um sinal da Misericórdia de Deus para com os homens.
Fonte: Revista "Mundo e Missão"
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"Queremos pautar as razões do nosso viver!"
Durante os meses de maio e junho de 2008, as pessoas que visitaram a página virtual da Casa da Juventude foram convidadas a participar da enquete: De que forma a juventude é apresentada pelos meios de comunicação de massa?
A pesquisa apontou que os meios de comunicação social - MCS fabricam um olhar sobre a juventude. No resultado, 31,17% afirmaram que os MCS retratam os/as jovens como pessoas sem responsabilidades e preocupações (113 votos); 24,34% escolheram a opção - como violenta e arruaceira (74 votos), e 20,72% como alienada (63 votos). Essa imagem do/a jovem representado/a pela mídia constrói sua representação para a sociedade.
A consulta permaneceu na página por 50 dias, totalizando 304 votos. Cada voto poderia ser repetido pela mesma pessoa no prazo de 24 horas; portanto, uma pessoa pode ter votado mais de uma vez. O resultado é uma opinião de um grupo sobre o tema. Não é possível tirar conclusões, mas estes dados apontam alguns desafios e cuidados para educadores/as de adolescentes e jovens, organizações juvenis e para a sociedade.
Na sociedade atual, a mídia passou a ser sinônimo de poder. Grandes empresas, sindicatos, movimentos sociais, instituições políticas; enfim, vários atores sociais buscam espaço na mídia para ganhar a aprovação da opinião pública.
Outro fator que muito contribui para o poder da mídia é a associação das notícias como sendo as únicas verdades de um fato. As pessoas têm acesso ao que acontece no mundo por meio dos veículos de comunicação e, na maioria das vezes, essa é a sua única fonte de informação de um determinado fato. Assim, o que sai na mídia é a pura verdade e o que não é relatado acaba ficando no anonimato ou simplesmente não acontece aos olhos da opinião pública.
Logo, quando acontece um fato, se os meios de comunicação disserem que ele é verdadeiro, o mesmo será considerado verdadeiro, mesmo que seja falso. Porque o que é verdadeiro é o que a mídia divulga como tal.
Diante desse cenário, fica claro que mídia e poder estão intimamente ligados na sociedade atual. Por isso a importância de saber se posicionar diante das informações divulgadas pelos veículos de comunicação, ultrapassando os casos de manipulação, a falta de crítica e a homogeneização do conteúdo transmitido.
Se fizermos uma memória recente das notícias que acompanhamos nos veículos de comunicação, vamos encontrar muitas delas vinculadas à juventude, como foi o caso do assassinato de três jovens no Rio de Janeiro, indicando envolvimento do exército. É interessante ler ou escutar as notícias e observar os termos utilizados pelos/as jornalistas quando falam sobre a juventude.
Acreditamos que o resultado desta enquete é um indicativo para a Igreja do Brasil, que organiza o Dia Nacional da Juventude, realizado em outubro de 2008, com o tema “Juventude e os meios de comunicação” e o lema “Queremos pautar as razões de nosso viver”.
Esse resultado também aponta um desafio: ampliar a Campanha “A Juventude Quer Viver” entre os/as jovens e para toda a população, defendendo os direitos da juventude – segurança, educação, saúde, cultural, lazer, transporte; principalmente os direitos da juventude empobrecida.
É preciso reforçar outras imagens dos/as jovens, como convoca o tema do Dia Nacional da Juventude, pautando, nos meios de comunicação, aspectos que reforcem outros olhares, como a mobilização e participação política da juventude, que sempre esteve presente em movimentos estudantis, culturais e sociais, partidos políticos e outras manifestações, como o movimento hip hop, etc.
Assim, somos convocados/as a criar estratégias para ocupar os espaços dos meios de comunicação em todos os níveis – Igreja e sociedade, para que possamos debater sobre o tema e apresentar a juventude em sua realidade e diversidade.
Carmem Lucia Teixeira
Gardene Leão de Castro Mendes
Núcleo de Comunicação e Pesquisa da CAJU
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